A frase é de Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP, que ontem explicou algumas coisas interessantes sobre a decisão da cimeira europeia. Uma delas é que a decisão de obrigar a avaliar toda a dívida pública da Europa a valores de mercado, quer se trate de investimentos que estão contabilizados na carteira de trading, quer os investimentos que são para deter até à maturidade, veio desta forma salvar os bancos alemães. Ora dos 106 mil milhões de euros que a Autoridade Bancária Europeia destinou aos bancos europeus, cerca de 70% são para os países periféricos: Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Mas então como é que os bancos alemães e franceses, carregados de dívida pública grega (que sofre um haircut de 50%) se safaram? Muito simples, a Europa ao decidir reavaliar toda a dívida pública europeia a preços de mercado, e não apenas aquelas de risco, fez com que as menos valias sejam a diferença entre as mais valias da dívida alemã e as menos valias dos países periféricos, e assim os bancos alemães escaparam a uma hecatombe no capital, porque tinham muito dívida pública alemã a par com a grega.
Este acordo é muito bom para a Alemanha.
E porque é que os bancos investiram tanto em dívida pública? Porque era europeia e como tal "risk free", dizem os banqueiros. Até à semana passada era risk free, disse o CEO do BCP. Ora não é novidade que Portugal, Itália, Espanha e Irlanda (para já não falar da Grécia) já não são "risk free". Portanto não é bem assim. Há alguma irresponsabilidade pelo meio. É que aos bancos deu-lhes muitos juros, muita margem financeira, investir o dinheiro disponível em obrigações soberanas de longo prazo, a juros muito altos, e depois ir com elas ao BCE "trocar" por crédito a taxas muito baixas (1%).
Alguém terá dito que "a hipocrisia é uma forma superior de educação". Não será por certo mas A SOBERBA, tudo líquida, é apenas uma questão de tempo. A ilusão do IMEDIATISMO é de facto DEMONÍACA... DEUS TEM QUE EXISTIR!!!
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