terça-feira, 2 de agosto de 2011

O banco que ninguém queria passou a filet mignon


 


Eu achei extraordinário que houvesse alguém para comprar o BPN, o banco que ninguém queria. Lembram-se que o concurso, lançado pelo Governo socialista, para vender o BPN ficou deserto?


O banco que os socialistas adoptaram como seu, mas que nunca resolveram o problema e deixaram-no engordar até aos 2 mil milhões de euros de imparidades, mais 3 mil milhões de empréstimos da CGD. É afinal uma pérola. Quem ouvisse hoje os deputados do PS a falarem, até parecia que o Governo deles defendeu os interesse dos contribuintes com o BPN. Afinal, de banco que ninguém queria o BPN passou a filet mignon. O mais desejado. O BIC aceitou ficar com aquilo por 40 milhões, sendo que o negócio prevê que o BIC entregue ao Estado 20 por cento do lucro, caso consiga superar os 60 milhões de euros em cinco anos, enquanto o Estado se compromete a avançar com uma recapitalização de 550 milhões de euros (que já estava prevista no anterior concurso do Governo PS, aquele que ficou deserto). Depois o acordo prevê que o BIC integre 750 dos  1.580 funcionários do BPN. E o Estado assume os custos com a "eventual cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores das agências e/ou centros de empresa que venham a ser encerrados ou reestruturados num prazo máximo de 120 dias após as transmissões das acções". Apesar disto tudo o custo do Estado com o BPN, descontando do preço de venda, ascende agora a cerca de 2,4 mil milhões de euros. Lembram-se que o Governo socialista foi obrigado a registar no Orçamento de 2010 os 1,8 mil milhões de imparidades do BPN, o que agravou o PIB em 1%?


O peso do BPN para o Estado é gigantesco, mas não surgiu com a venda ao BIC. O Governo PS já tinha criado três veículos com o “lixo” do BPN, com um valor facial de 3900m€ dos quais 1800m€ incobráveis.


 


O BIC fica com o banco maldito paga 40 milhões e com 750 bancários para fazer banca, ou seja receber depósitos e dar crédito, num país falido. Mas já ganhou à borla uma brutal campanha de publicidade e marketing. O banco, com a sua fachada africana, não sai do prime time das televisões. O bilhete de identidade do BIC de Mira Amaral não sai dos jornais e televisões. Já ganhou!

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