Nada me faltará. É este o título de uma das mais comoventes e inteligentes crónicas escritas nos jornais.
Maria José Nogueira Pinto tem hoje publicada uma crónica a título póstumo, no Diário de Notícias. Esta crónica, não é uma despedida, é a sua última batalha pelo "combate de ideias" que sempre defendeu: amor, Deus e pátria. Nada me faltará é uma passagem do Salmo 22: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará".
"Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem da morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos. Como no salmo, o senhor é meu pastor e por isso nada me faltou - mesmo quando me faltava tudo." Isto é ser católico, isto é lutar pela afirmação do amor como princípio meio e fim de tudo. Maria José Nogueira Pinto lutou com todas as forças até ao fim para combater as ideias que considerou nocivas para o bem comum e futuro da humanidade, e esta crónica foi o seu último fôlego de luta.
"Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida". Nem mais Maria José Nogueira Pinto.
Uma mulher que não teve medo de enfrentar as forças adversas, que não teve medo de ser ridicularizada pela defesa do que acreditava, uma mulher que não tinha papas na língua para confrontar a desonestidade intelectual e moral. Para Maria José Nogueira Pinto a política foi apenas um meio de defender aquilo em que sempre acreditou. O que é uma raridade.
Até sempre.
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