O que penaliza Manuel Alegre, que acabou estas eleições com um mau resultado de 19,75%, é a mistura de sentimentos que provoca.
Manuel Alegre é um indefinido, um eterno deslocado. É de esquerda e tem um ar de fidalgo. Logo a esquerda não lhe perdoa o ar nobre, e a direita não lhe perdoa a esquerdice, logo não lhe perdoa as alianças aos Louçãs e aos MRPPs. Manuel Alegre é um poeta, poderia cativar os intelectuais. Mas depois não defende ideias novas, vive a reproduzir os slogans da revolução de Abril de 1974. Manuel Alegre é conservador no bom gosto e nos valores. Gosta de corridas de toiros. É casado a vida toda e é um defensor da família, não adere às questões fracturantes, apesar do nome (gay não é alegre em Inglês?). Logo, nem o apoio de Louçã à sua candidatura, o salva na ala dos defensores destas ideias.
Depois usa gravatas e blazers tweed, o que agrada à direita e cria desconfiança na esquerda socialista.
Manuel Alegre é um Senhor. Basta ver o nível do seu discurso em comparação com o discurso do vencedor, Cavaco Silva. Manuel Alegre saudou todos os candidatos e assumiu a derrota: «A derrota é minha, não de quem me apoiou».
Uma outra vez, quando o jornalista lhe perguntou se havia alguma razão para Sócrates ter saído por uma porta diferente da sua, disse e bem, que a pergunta era de "Mau gosto". Manuel Alegre é educado demais para agradar à classe média socialista, habituados à prepotência. Mas esta educação de Manuel Alegre não chega para fazer esquecer o seu perfil de esquerda jacobino.
Boa análise!!! Vou pensar...
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