Tenho a sensação que Portugal está falido e anda tudo a fingir que não, para ver se a realidade se verga à vontade.
Toda a gente anda a pôr dinheiro nas emissões do Estado, os particulares ricos, os bancos, e eu antevejo um triste fim para estes investimentos de longo prazo. Os juros altos ofuscam a realidade de num prazo de dois a três anos o Estado Português ter de fazer uma reavaliação em baixa do valor da dívida que emitiu. Porque não haverá condições de pagar aos credores. Um hair-cut de 20% a 30% (que será já incluído nos testes de stress à banca este ano) é coisa com que se deverá contar.
Este ano Portugal tem (já começou a fazê-lo) de emitir dívida para refinanciar a que vence, no valor de € 49.8 mil milhões, sendo € 21.5 mil milhões em O.Ts (longo prazo) e € 28.3 mil milhões em B.Ts (curto prazo).
A banca e as empresas portuguesas também terão de refinanciar dívida este ano, e só o conseguem fazer contraindo mais dívida. Sendo certo que ninguém lhes empresta, no caso dos bancos só o BCE. Mas se continua a ceder liquidez a troco de OT que a prazo valem menos, o BCE arrisca-se a ir junto com o desaire que se antevê para os bancos portugueses.
Os bancos portugueses não podem esperar que o Banco Central Europeu continue com o apoio às instituições financeiras durante um período prolongado, devendo optar por aumentar o capital ou acelerar a sua desalavancagem (conceder menos crédito e captar mais depósitos).
Para terem uma ideia, só o BPI tem 10% dos seus activos aplicados em OT... o que vai acontecer ao banco se houver um hair-cut da dívida de 20% a 30%?
Isto está muito mau para os bancos portugueses.
“Esta crise do BCP, pode parecer uma guerrinha que à distância do tempo tenderá a parecer arqueologia, mas ela é o reflexo de um país à deriva, submerso na lógica demagógica do poder das aparências. O BCP é hoje uma extensão da filosofia que rege o país, em que se quer fazer acreditar que o que parece é.”
ResponderEliminarTerramoto BCP Toda a história
Booknomics, 1ª Edição, Junho de 2008, pág. 222
Maria Teixeira Alves
Pergunta que Gonçalo Nascimento Rodrigues fazia no outro dia no seu mural, por causa do valor dos juros cobrados:
"Sr. ministro, V. Exa. está a gozar comigo?"
"Resposta" que eu dei:
"Quem vai à casa de penhores não está preocupado com os juros. Quer apenas comer passados cinco minutos. O que está eminente em Portugal é o Estado não ter dinheiro para a alimentação do MONSTRO. Ordenados, subsídios, comparticipações, pensões, abonos, apoios e figuras afins estão na eminência das eminências de não serem pagos e como tal tudo isto explica que o ministro não está a gozar. Está desesperado, para ele próprio receber o ordenado. É só isto que se passa."
E tenho a convicção profunda que os nossos "governantes" não têm a mais pequena ideia de PAGAR seja o que for, fazendo então a "chantagem emocional" de parceiros europeus que "têm" que ser salvos, etc. etc. etc. e a chantagem sobre os credores, por estarem "entalados" e como tal terem eles um problema... E se tudo correr bem, nessa altura, nenhum dos responsáveis já estará no poder para prestar contas... A impunidade reina... E a nação sofre...
“O Tempo esse grande escultor”
Marguerite Yourcenar
A sensação do FARPAS está correcta. É só uma questão de tempo. Eu tive essa sensação e certeza em 2001 pois, quem sempre esteve na "dura realidade da cozinha", tem outra percepção da realidade e rapidamente percebe que o nível de vida existente em Portugal nada tinha a ver com a produtividade. Como tal, repito, é tudo uma questão de tempo. Infelizmente. A pobreza gradual espreita e segundo alguns reputados historiadores, como nunca se perspectivou ao longo de nove séculos de existência, por falta de saídas...
E como alguém disse: "a realidade expulsa sempre a ilusão".
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