Os portugueses são uns vaidosos. Temos fraca auto-estima, mas somos uns vaidosos.
Somos inseguros, acreditamos pouco em nós, louvamos tudo o que vem de fora. Mas somos uns vaidosos.
Vivemos em função dessa vaidade, a que tudo submetemos.
Tudo se move numa direcção, conquistar poder, ou manter o poder conquistado.
Portugal deve tudo à vaidade e nada à sabedoria.
É isso que marca o Governo de Sócrates, é isso que marca a presidência de Cavaco, é isso que marca a gestão da maioria das empresas portuguesas.
É assim nas altas esferas do poder económico e político, como nos pequenos círculos de amigos, nos pequenos grupos informais. Todos se movem em
função da vaidade.
Por isso é que somos um país que aparenta muito, temos um grande orgulho no nosso bom comportamento, mas não criamos nada.
Não vamos mudar e esse é o nosso fado. Resta-nos esperar que a vaidade se direccione para as boas causas. Ter orgulho em ser melhor. Orgulho em ter menos soberba. Orgulho na ética. Orgulho na lealdade. Orgulho na seriedade.
“Esta crise do BCP , pode parecer uma guerrinha que à distância do tempo tenderá a parecer arqueologia, mas ela é o reflexo de um país à deriva, submerso na lógica demagógica do poder das aparências. O BCP é hoje uma extensão da filosofia que rege o país, em que se quer fazer acreditar que o que parece é.”
ResponderEliminarTerramoto BCP Toda a história
1ª Edição, Junho de 2008, pág. 222
Maria Teixeira Alves
É a citação em epígrafe, na minha opinião, uma das mais conseguidas e certeiras sínteses que eu vi fazer sobre Portugal nos últimos anos e se calhar desde sempre. Revela a mesma lucidez, inteligência, carácter, humildade e coragem. Não por acaso ser eu um comentador "residente" deste blog. Está aqui revelado parte do "mistério". E não conheço a autora.
Em Portugal, com raras e honrosas excepções só existem três velocidades: marcha-atrás , parado e o faz-de-conta, como quando os miúdos se põem ao volante do carro dos pais, com ele desligado, mas simulam as maiores corridas, velocidades e vitórias.
Conheci e sou amigo dum bom ucraniano, engenheiro, que, vítima dum criminoso "empresário" português levou com 10.000 volts em cima. A expressão que ele mais interiorizou e cita, depois de um calvário por seguradoras, hospitais, tribunais, segurança social e afins: "É PARA INGLÊS VER".
Alguém disse que "a hipocrisia é uma forma superior de educação". Costumo dizer que será por certo uma forma superior, mas de ABJECÇÃO.
Penso que ainda não chegámos à VAIDADE, pura e dura. Ainda estamos na preocupação comezinha do que os outros pensam ou dizem.
É de facto Portugal um mistério! Esperemos que a depuração aconteça, elevando o nosso povo, mas em particular as nossas quase inexistentes elites, para patamares de maior exigência colectiva, respeito pelo próximo, vontade de fazer bem, bom senso, brio, numa palavra, DIGNIDADE. Projectos de vida sérios, sensatos, tendo em vista o BEM COMUM. Façamos a nossa parte e confiemos na PROVIDÊNCIA DIVINA.
Obrigada por citar o meu livro.
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