sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Crise

Já é a terceira vez que vou jantar fora ao fim de semana, sem marcar, e vejo que sobram mesas nos restaurantes que até há pouco tempo eram os pontos de encontro da moda.

4 comentários:

  1. Mas, caríssima, a crise chegou só para alguns! Veja o escândalo que grassa na Câmara socialista de Guimarães.
    Os vencimentos auferidos pela comissão da Fundação Cidade de Guimarães, capital europeia da cultura em 2012, são: a presidente Cristina Azevedo (14300 euros brutos mensais), os dois vogais executivos (12500 euros/mês). Isto, além de despesas de representação: 500,00 e 300,00 Euros, respectivamente, por cada sessão participada, mais telemóvel, certamente topo de gama, e carro para as "múltiplas" deslocações. Também topo de gama?
    Sem dúvida, fantástico!...

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    1. António Pereira de Carvalho6 de novembro de 2010 às 11:39

      "As tarefas profissionais – também o trabalho do lar é uma profissão de primeira ordem – são:

      1)Testemunho da dignidade da criatura humana;

      2)Ocasião de desenvolvimento da própria personalidade;

      3)Vínculo de união com os outros;

      4)Meio de contribuir para a melhoria da sociedade em que vivemos;

      5)Meio de fomentar o progresso da humanidade inteira;

      6)Fonte de recursos;"

      Meu caro. Antes do mais desejo que não interprete mal o que digo a seguir. Pretende ser apenas uma pequena contribuição para esta "discussão". Não vou a raízes antropológicas para não “chatear”, mas era importante olhar para elas para melhor perceber o fenómeno.

      Tenho 46 anos e 95% da minha vida profissional foi sempre por conta própria, por opção de vida e imposições de consciência. Não sei o que é ter uma remuneração fixa mensal, nem subsídios de qualquer espécie, nem férias, quanto mais pagas, etc. De nada me queixo. Do que me queixo amargamente é de não haver uma sociedade que cultive o mais elementar mérito e consequentemente a existência de uma feroz accountability. Note-se que nada tenho contra os trabalhadores por conta de outrem. Conheço alguns, poucos, que eu costumo dizer que são os trabalhadores que todo o patrão gosta de ter, mas que é raro o patrão que merece ter. O trabalho HUMANO tem em si mesmo uma transcendência que não se pode resumir ao quantitativo auferido e demais diversas remunerações. Isso é reduzi-lo a quase nada. Tal como numa refeição existe toda uma relação entre o que se come e o que se paga, também numa relação laboral, existe, ou devia existir, uma fortíssima correlação entre o que se PRODUZ e o que se aufere.

      Não tenho dúvidas que Paulo Macedo terá sido o trabalhador mais barato de sempre existente em Portugal, por motivos que penso serem óbvios.

      Conheço quem receba 1.000,00 € por mês e seja um perfeito cancro numa estrutura, mais valendo ser pago a dobrar e deixado em casa a ver televisão.

      Por acaso ouvi as explicações do, salvo erro, Presidente da Câmara de Guimarães, dizendo que a tal Cristina não lhes foi bater à porta e que foi contratada devido aos objectivos pretendidos para a dita Fundação. E que, como tal, ou pagavam ou, em vez de terem um Cristiano Ronaldo, tinham o António Carvalho!!! Verdade? Mentira? Sofisma? Mais uma “girl”? Indiferente. Apenas quero dizer que nada me impressiona o que os outros ganham ou deixam de ganhar, desde que produzam em consonância, tenham responsabilidades reais e como tal sejam compensados. Será um bom sinal!!! É evidente que tudo o que seja o contrário disto é um abastardamento abjecto e pecaminoso de tão fundamental actividade humana. Se me quiser enviar o seu e-mail para pereiradecarvalho@gmail, enviar-lhe-ei na volta dois artigos excepcionais, um de Belmiro de Azevedo e outro de Vasco Pulido Valente que, conjugados, quase esgotam o tema. Um abraço.

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  2. Já tinha visto na televisão o Marques Mendes falar destes casos.

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  3. António Pereira de Carvalho6 de novembro de 2010 às 12:28

    Dizia há uns anos Eduardo Catroga que o problema de Portugal é que “consumia como os alemães, mas produzia como os marroquinos.” Um muito inteligente amigo, dizia-me com a sua ironia característica: “Não concordo. Apesar de tudo produzimos mais do que os marroquinos, mas consumimos muito mais que os alemães!!!”.

    Por circunstâncias várias conheço/conhecia muitos donos e gerentes de alguns dos melhores e mais caros restaurantes de Lisboa. A percentagem de pagamentos com cartões de crédito das empresas era elevadíssima...

    Para duas pessoas gastarem 100,00 € numa refeição não é precisa muita imaginação nem uma gula extraordinária. Qualquer Mãe de família digna desse nome sabe bem o que compra com 50,00 € no Lidl, no Minipreço, no Continente ou no Pingo Doce!!!

    Dizia-me uma dessas Mães, há 1 ou 2 anos, de origem francesa e quadro superior de uma multinacional que, “comer fora, é um luxo.”. Não direi tanto, mas compreendo a expressão e dum ponto de vista estrito de uma sã economia familiar, não direi que é um luxo, mas sim um super-luxo!!! Mas, eu pecador me confesso, “adoro” comer fora!!!

    Talvez há três anos dizia-me um gerente de uma conhecida pastelaria/restaurante lisboeta: “as pessoas não têm dinheiro para pagar a casa, quanto mais para comerem”.

    “A realidade expulsa sempre a ilusão”


    PS - E ainda tínhamos aquele patriótico, genial e jovem “empresário” e gestor português, que afirmava, numa entrevista, ser o Porto de Santa Maria como que a sua “cantina”!!!

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