Uma notícia do Público trouxe à ribalta que Paulo Campos, actual secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, aproveitou a sua entrada no Governo para dar emprego a sócios de uma antiga empresa da qual era dono (chamada de Puro Prazer). Estes antigos sócios foram empregados nos CTT. Marcos Afonos Batista tornou-se administrador dos Correios de Portugal em 2005 e Luís Pinheiro Piteira, tomou o cargo de administrador da Empresa de Arquivo e Documentação (empresa que também faz parte dos CTT).
Em comunicado o ministério das obras públicas garante que os nomeados são escolhidos pela “sua vasta experiência na área da gestão no sector público e privado bem como em multinacionais”.
Paulo Campos vai ficar conhecido como o "BOM AMIGO", destes e de outros...
É a maldição das Obras Públicas.
Um primeiro "comentário", pois o assunto merece mais reflexões. Tenho o privilégio ou o azar de ser amigo do homem que a seguir se "apresenta". A contrario, está tudo dito.
ResponderEliminarUm exemplo
Fundação Calouste Gulbenkian. Planetário Gulbenkian. Palácio da Justiça. Biblioteca Nacional. Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Instituto Ricardo Jorge. Instituto de Medicina Tropical. Hotel Ritz. Hotel Tivoli. Hotel Sheraton.
Dez obras, das maiores e mais representativas da cidade de Lisboa. E penso que “grandes” em qualquer parte do mundo. Públicas e privadas. O que têm todas em comum? Nenhuma delas ultrapassou os prazos, nem os custos previstos. Em nenhuma houve acidentes mortais e a sinistralidade laboral foi quase inexistente. Milhares e milhares de horas de trabalho de construção civil monitorizadas quase ao segundo.
Desde há largos anos que é sabido o desmando, para não dizer pior que, parece que em particular as obras públicas, sofrem. Prazos ultrapassados em meses e anos. “Derrapagens” financeiras de 30%, 40%, 50% e às vezes mais de 100%. Uma sinistralidade laboral geral, com largos mortos por ano. 2005, 169. 2006, 157. 2007, 163. 2008, 120. 2009, 53.
As dez referidas obras têm ainda uma outra coisa em comum. O seu planeamento e a respectiva condução administrativa e técnica tiveram sempre um mesmo e único “MAESTRO”. Não. Não. Não foi nenhum estrangeiro! Foi um português, licenciado em engenharia electrotécnica pela Universidade do Porto e que está entre nós de plena saúde, com os seus 88 anos. Chama-se Manuel Camacho Simões.
Interrogado sobre como é possível conseguir tais “milagres”, diz ser a coisa mais “fácil e simples” do mundo. “Primeiro, tira-se o azimute do pretendido e depois é seguir sempre em frente, sem olhar para o lado.” Preços? “Sempre a última coisa a discutir e só depois de estarem preenchidos todos os requisitos previamente requeridos, tendo em vista o que se pretende.” Ofertas? “Na vida só há quatro coisas que se aceitam: blocos de papel, porta-chaves, canetas e isqueiros. Tudo o resto não há que ter ilusões que nos é oferecido, para ser cobrado na primeira oportunidade.” Ausência de sinistralidade laboral? “Tudo uma questão de ter o mais profundo respeito por quem anda a trabalhar, seres humanos como todos nós, com famílias, afectos, esperanças e como tal, as medidas de segurança, são a primeira de todas as prioridades.”
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Contas. Quer saber, mesmo, como acabar com o “fartar vilanagem” nas obras públicas? Fale com o Exmo. Senhor Engº. Camacho Simões que ele, estou certo, numa tarde e sem lhe cobrar nada, explica-lhe como é. E ainda por cima até mora ao pé do seu tribunal.
Bem dizia Sócrates, o genuíno que "ser velho, é ter todas as respostas, mas já ninguem lhe fazer as perguntas".
“O dinheiro não só fala como faz muita gente calar a boca”
ResponderEliminar