A dívida pública portuguesa tocou hoje a meta dos 7%, a mesma meta que o Ministro das Finanças tinha revelado como a barreira a partir da qual se começaria a pensar em recorrer ao FMI (se calhar não é por acaso).
É que Espanha está mal, mas os juros da dívida soberana não chegam a 5%... muito melhor do que Portugal, e não fomos nós que tivémos a bolha imobiliária.
É melhor começar a pensar que o FMI não é essa noite escura que todos profetizam. É que com o FMI, vem o fundo de estabilização europeia... se calhar dava jeito.
Dizia o Prof. João César das Neves em 23.7.2001 no Diário de Notícias, numa síntese brilhante: “A verdadeira causa... é uma mesquinhez do espírito nacional. Vem ao de cima uma das piores facetas do nosso carácter: o português tem alma de escriturário. Toma a atitude do amanuense pacato que não gosta de desafios nem da turbulência competitiva. Quer uma vidinha calma e fácil, com o eventual golpe de chico esperto, se a oportunidade surgir. Acha-se injustiçado por ter de trabalhar e prefere discutir futebol.”... “Há, porém, alturas em que o sonho não é ser a Holanda, mas um paraíso de funcionários públicos.”
ResponderEliminarriste destino de uma nação secular que não encontra nos seus melhores quem seja capaz de fazer a gestão da coisa pública, de acordo com as regras mais elementares do bom senso e do respeito pelo próximo. Como português que ama a sua pátria e ser humano sinto-me triste e humilhado. É certo que, à partida para a Casa do Pai, todas as contas terão que ser prestadas. Entretanto preocupa-me deveras todos os que são vítimas, em particular doentes e "velhos", sem nada terem contribuído para o desastre.