quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A moda para estúpidos


 


Só me deu vontade de rir a notícia de que a empresa espanhola que vende as pulseiras do equilíbrio, que se tornaram uma praga no Verão passado, foi multada em 15 mil euros pela Junta da Andaluzia por «publicidade enganosa». De acordo com o El Mundo online, uma associação de consumidores espanhola denunciou a empresa à justiça por enganar os compradores com promessas que depois o produto não cumpre. Consideram que as propriedades «quase milagrosas» que se atribuem à pulseira são fraudulentas.


Não me cansei de dizer a amigos que esta pulseira do equilíbrio era uma treta e custava os olhos da cara. Mas ninguém pára a carneirada.


Quem não pensa pela sua cabeça, não pensa. Assim é com as pulseiras fraudulentas, como com as ideias fraudulentas que nos impingem e nós absorvemos sem contestar. Por isso estamos onde estamos.

4 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho18 de novembro de 2010 às 13:22

    “Sempre que possível, converse com um saco de cimento. Nessa vida só devemos acreditar no que é concreto”

    Que título tão “violento”!!! Penso que era mais simpático, “...incautos” ou “...crédulos” ou “...quem não pensa” ou “...quem gosta de ser enganado”. O sistema CAPITALISTA, o melhor dos melhores até hoje existentes na humanidade, ainda tem um longo caminho a percorrer no seu aperfeiçoamento. Sem um sentido ÉTICO e até ESTÉTICO, não há sistema que resista à erosão do tempo. A mera ganância, o consumo sem real necessidade, a falta de respeito pelo próximo, só podiam dar asneira. Os homens do marketing gostam de dizer que a sua “arte” é “criar necessidades onde não existem”. 95% das vezes o único objectivo é sacar o máximo, no mais curto espaço de tempo. Para isso parece que existirão técnicas, mais ou menos “científicas”, para que o sacanço seja o mais indolor, inodoro e suave possível. A tal ausência de princípios e valores ou simples critérios de bom senso, abrem a porta para todas as fraudes, sejam materiais, ideológicas, éticas, estéticas, morais. Devido à “pressão social difusa” e à acção do Príncipe deste mundo, são as pessoas levadas a acreditarem (se calhar também por necessidade existencial) em tudo e mais alguma coisa. Desde a new age, ao yoga, aos cremes de beleza, à igualdade do género e a tudo o que a imaginação humana, infinita e na sua LIBERDADE total, consegue lançar mão para ENGANAR o próximo, pois nunca estão realmente interessados na FELICIDADE DESSE PRÓXIMO, mas no seu próprio narcisismo e interesses.

    Pode dar vontade de rir, mas o respeito pelo próximo deve-nos levar a pensar e reflectir como as podemos ajudar para não acreditarem em quimeras sem qualquer sustentabilidade, a que nível de análise sejam sujeitas. Não resistem ao mais pequeno escrutínio. E enquanto falamos de pulseiras ainda não estamos mal... São os mistérios da condição humana.

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    1. Soube uma vez que, quando os espanhóis da Prisa compraram a TVI estavam ver o telejornal português da estação que tinham acabado de comprar e depararam-se com um pivô a chamar à ETA, grupo separatista basco. Os administradores espanhóis ligaram para lá e disseram que naquele canal não se escondia a verdade com palavras simpáticas, descomprometedoras. Naquele canal a ETA era um grupo terrorista....
      É por isso que Espanha é o que é e nós, que andamos sempre com meias tintas, estamos onde estamos.

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    2. António Pereira de Carvalho19 de novembro de 2010 às 01:28

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      1000% (mil) de acordo. Uma das coisas que a vida me foi ensinando foi que nela, quase tudo se pode DIZER e quase tudo se pode FAZER. No entanto, esse quase tem um limite fundamental que é a FORMA, de COMO se diz e de COMO se faz. Comentando isto, há vários anos, com um amigo meu, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, dizia-me ele que, já o seu Avô, uma das cabeças mais brilhantes (e não por causa da brilhantina, como se dizia em relação a um seu colega) da Universidade portuguesa e figura de prestígio superlativo no Estado Novo, dizia o mesmo.

      Ainda na passada quarta-feira vi uma notável entrevista de Paulo Azevedo na SIC Notícias nos Negócios da Semana. Profundo admirador que sou do seu Pai e do seu estilo, dei por mim a pensar e a constatar, de como se podem dizer exactamente as mesmas coisas, com o mesmo vigor e determinação, mas de uma forma muito mais estética, elevada, depurada, ética mesmo e se calhar com muito mais efeito. O mesmo fui aprendendo com Abel Mateus. Mas "adoro" Medina Carreira e "idolatro", há muitos anos, Vasco Pulido Valente.

      "Custou-me" no entanto ver no seu post os nossos irmãos serem tratados por "estúpidos" e "carneirada", se calhar porque não estou habituado neste blog a essa linguagem, tendo o mesmo um nível e uma elevação estética e ética muito pouco habitual neste nosso PORTUGAL. E se calhar também por estar influenciado por algum anjo que me faz ser mais humilde e caridoso!!!

      Não façamos da "hipocrisia uma forma superior de educação", nem dos eufemismos um estilo de meias-tintas, mas esforcemo-nos para sermos mais humildes e fazermos da "descoberta guiada" um testemunho de BEM para com os outros.

      Tem a Santa Igreja de Roma essa transcendente formulação que se consubstancia na chamada "CORRECÇÃO FRATERNA". O caminho da SANTIDADE é difícil , mas possível e ao alcance de todos.

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  2. António Pereira de Carvalho18 de novembro de 2010 às 14:47

    Há muito que constato que onde há um ser humano, do mais horrendo e abjecto, ao mais sublime e transcendente, tudo é possível e por vezes na mesma pessoa. Por isso, aqui vai um momento de TRANSCENDÊNCIA, para contrastar...

    http://www.youtube.com/watch?v=_ajCJFgbsFs&feature=related

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