quinta-feira, 6 de julho de 2017

No reino da desordem


 


 


Vivemos em desordem. Aliás "ordem" não é uma característica portuguesa. Se isso fizesse parte do nosso código genético a nossa história teria sido escrita de forma diferente, muito provavelmente não teria existido uma horrenda guerra civil, a Primeira República teria corrido às mil maravilhas e logo não teria havido Estado Novo nem nada do que se seguiu. Éramos um país maravilho.


Porém a história é feita de factos em que a genética faz das suas, pelo que perante os factos não há nada a dizer!


Acrescento ainda uma outra característica dos portugueses: são mandados e gostam e precisam de ser mandados. E, sobretudo, precisam de ser mandados! Veja-se por exemplo a forma como os nossos emigrantes são visto: em todo o lado a ideia generalizada é que o português é um excelente trabalhador. É bem mandado! Por cá a cantiga é outra. Se não são mandados eles ficam à nora. Não sabem como fazer e, tampouco, sabem porque as coisas acontecem.


Há dois bom exemplos que servem na perfeição na retratação do nosso povo, e sobretudo por as consequências são trágicas, servindo inclusive para chacota internacional, falo do assalto a Tancos - e note-se, todavia, que situações parecidas, ligadas ao crime internacional também já ocorreram, disse-me ontem um amigo militar, em França e na Alemanha – e, por outro lado, como acabo de ler no Sapo, a “GNR não recebeu qualquer "decisão operacional" sobre a necessidade de encerramento da Estrada Nacional 236-1 durante o incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrogão Grande, tendo encerrado esta via após a localização de vítimas mortais.”


Pois é; não receberam ordem! Não receberam ordens porque o “malvado” SIRESP não possibilitou o “envio” dessa ordem, e os militares não fecharam a estrada levando à morte dezenas de portugueses, e por outro lado tal acontece, porque como tem que ser mandados, a Guarda Nacional Republicana não tem autonomia suficiente para actuar conforme situações que lhes pareçam urgentes. Ou seja, tanto eles, e sobretudo os que mandam, deveriam de saber que às vezes é melhor prevenir do que remediar. E assim, tanto em Pedrogão como em Tancos – as câmaras de segurança estão desligadas há dois anos – as coisas acontecem por falta de ordem e muito desleixo. Seja como for a culpa – já que passamos o tempo a sacudir a água do capote -há-de morrer solteira.


 


Termino isto com um registo de humor, de humor que ainda consegue salvar alguma coisa, citando Pedro Silva Pereira: “Se a estrada 236 não existisse aquelas pessoas não tinham morrido”!

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