sexta-feira, 10 de junho de 2016

Marcelo, um discurso como só a elite pode fazer

10 de junho: Comemorações pela primeira vez em território espiritual de Portugal


Coitadas das elites: Sempre à frente nas decisões dificeis, sempre à frente a assumir as responsabilidades, são sempre as criticadas quando tudo corre mal, e nunca as elogiadas quando tudo corre bem.


O Presidente da República disse hoje no discurso do 10 de Junho que: 


"O povo sempre a lutar por Portugal mesmo que algumas elites, ou melhor, as que como tal se julgavam, nos falharam. Em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de altas contemplações deslumbradas, ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos", disse Marcelo, lançando assim uma farpa às elites criadas pela História.


Nos momentos de crise é "sempre o povo que assume o papel determinante". Depois de uma exposição histórica sobre o papel do povo ao longo da construção do país, eis que Marcelo elogiou a capacidade dos portugueses para aguentar "sacrifícios" em momentos de crise. "Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo". 


Este é um discurso que só a elite pode fazer, é um pensamento/sentimento que só a elite pode ter. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa sabe isso.


"Amo aqueles que se envergonham quando os dados lhes são favoráveis", cito de memória, escreveu um dia William Blake 


A elite é aquela que se envergonha quando os dados lhe são favoráveis. E nesse aspecto são pessoas de uma enorme grandiosidade e nobreza, e essa grandiosidade é essencial para a humanidade. Porque a contagia.


Por muito que se critique as elites [já lá iremos] elas são louváveis, e são o motor do mundo. 


Pode dizer-se, e eu concordo, que as elites são fracas porque são elites numa coisa, mas não o são em tudo. O nível cultural das elites (nomeadamente das portuguesas) é lamentável e isso afasta as elites daquilo que deveriam ser. A cultura é a única receita contra pensamento único, é a única arma contra a propaganda, é a única forma de se pensar pela própria cabeça mesmo quando se unem exércitos contra nós. Porque os movimentos de massa são poderosos, mesmo quando são movidos por ideias "estúpidas". A cultura e a inteligência são fundamentais para saber que caminho traçar, para se ser imune à alienação colectiva, para saber reconhecer os preconceitos e ultrapassá-los com o coração. Para isso é  preciso uma enorme dose de bondade. A sabedoria aliada à bondade é também um traço da elite.


Os preconceitos estão em todos os lados, não só na elites. Mas a elites têm de ter essa capacidade para os renegar, para os derrubar. Se o fizer outros se seguirão e o povo será melhor.


 


 


 

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