Não há, provavelmente, uma música que me transporte tanto àqueles tempos da minha adolescência passada em Cascais. Que me transporte às festas, ao Vangogo, ao News, aos amores. Nunca somos os mesmos quando olhamos para trás.
Gabriel Garcia Marquez disse uma vez, no seu Amor em Tempos de Cólera, sobre o Florentino Ariza que "ele ainda era demasiado jovem para saber que a memória do coração elimina as coisas más e amplia as coisas boas, e que graças a esse artifício conseguimos suportar o peso do passado". Talvez seja esse efeito do tempo e da certeza de que era um contexto irrepetível que ilumine o passado com o encanto da nostalgia. Mas há sempre uma certa nostalgia da pessoa que fomos quando tudo se resumia à preocupação de ser a mais bonita da festa, a mais bonita da praia, a ser a mais feliz do mundo por comer um gelado de morango do Santini depois de um dia de praia no Guincho longo e interminável.
O contexto em que esta música fazia bater corações desapareceu no tempo. Era o Portugal do fim dos anos 80 e começo da década de 90.
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