quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A liberdade não se vende aos quilos


 


"Sei que só há uma liberdade: a do pensamento." 


Saint-Exupéry 


 


1| Já o escrevi aqui. Se calhar não leram. Coitados. A falta de tempo e o desinteresse ditam as regras. Sou teimoso. Vou repetir: este povo é merdoso. É estruturalmente inculto e, sobretudo, desrespeitador daqueles que à sua maneira, remando sempre contra a maré, habitantes da utopia, teimam em sonhar.


 


2| Há por aqui a tentação de ser viver em constantes duelos. Eu tenho que ser invariavelmente melhor do que outro. Somos incapazes de partilharmos ideias, e de ao criarmos sínteses, seremos capazes de construirmos um futuro equitativo. Assim,  tudo seria melhor e eramos poupados à ingenuidade e à ingratidão. Leiam os comentários e vêem logo como tenho razão! Porém, reconheço: sou ingénuo, e cultivo a ingenuidade. Porque, felizmente tal como escreveu Paul Virilio, sei que é preciso encontrar outros ângulos para encaramos a realidade. Ou seja: é urgente que se tenha a capacidade de se “olhar de outra maneira para se ver melhor”.  


 


3| Li no seu blog a reacção maravilhosamente bem escrita por João Tordo à emigração forçada para o Brasil de seu pai, Fernando, um dos mais influentes cantautores da nossa língua. Não sou comunista. Nunca o fui e no entanto reconheço neles o direito a reclamarem mundos melhores. Porque não o faria? Que direito tenho eu, tem um estado que se diz livre, a silenciar quem quer que seja só pelo simples facto de quer e desejar uma outra realidade? Porém, como o mal é geral e transversal, reconheço que num mundo ao contrário, numa espécie The Twilight Zone, a cantiga seria a mesma. É a impostura do silêncio a ditar as suas regras, e a liberdade é “para inglês ver”, tal como não se vende aos quilos!

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