terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Miguel Sousa Tavares, um Dom Quixote



Miguel Sousa Tavares, um veterano dos jornais, disse hoje uma coisa interessante, no entanto, impraticável.


"Nunca percebi a vantagem de estar no online. Os jornais deviam sair do online. Não percebo porque os jornalistas vivem de cú sentado nas redacções, pendurados na Internet. Deviam apostar em menos e melhor jornalistas.Devia haver a coragem de apostar sempre e só na qualidade mesmo que trabalhemos para uma minoria. Sem jornalismo de referência, não haverá democracia de referência".


É verdade, mas agora vejamos. O Público, o Expresso, o Diário Económico, o Jornal de Negócios, o Diário de Notícias, o I, o Sol, o Correio da Manhã, o Jornal de Notícias, etc, deixavam de ter edição online. Quem quisesse saber o que lá estava dentro teria de comprar os jornais na banca. Muito certo. 


Mas depois vinham os leitores e copiavam os artigos, fotografavam-nos com os telemóveis e difundiam-nos nos blogs, no Facebook, no Twitter. 


Os jornais estrangeiros entretanto estariam online. Cada acontecimento imediato iria ser difundido nos site internacionais, nas televisões, nas redes sociais, nos blogs. No dia a seguir o texto publicado nos jornais estava esgotado na net no dia anterior, como agora, só que agora os jornais estão online e as redes sociais difundem os links dos próprios jornais. 


Como o Miguel Sousa Tavares acaba por dizer: "A Internet produz uma informação basista. Chegámos ao ponto em que a notícia é o que a 'net' diz". Ora é isso que não acaba com a saída dos jornais do online. 


Como o world wide web é um mundo vastíssimo, os jornais são importantes para afirmar a marca. É fácil querer ir a um site de notícias económicas e saber que há um Diário Económico com um site na web. É para isso que o papel não pode morrer, para ser a referência da net. 


É verdade o que diz Miguel Sousa Tavares, que os "jornalistas foram atrás do amadorismo das notícias. O jornal Público é um exemplo disso, um mau exemplo: foi atrás de todas as modas e todos os modismos, convencidos que eram modernos e está velho como nunca esteve". Mas se calhar a mudança que se tem de fazer no jornalismo é mais uma vez a política do mérito. Os jornais têm de deixar de fazer política na gestão de recursos humanos e serem mais exigentes com o mérito académico, intelectual, moral, ético e mesmo estético dos jornalistas.


 


Publicado no Corta-Fitas

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