sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Privatizações à socialista

Com a chegada de Sócrates ao poder, nasceu uma nova forma de privatizações, muito original. O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, queria ter dinheiro mas não queria prescindir do capital das empresas, então, vai daí, inventou as obrigações convertíveis indexadas às acções. Desta forma os privados punham o dinheiro e no fim do prazos (longos) o Estado tinha a opção de pagar aos subscritores das obrigações ou se não essas obrigações eram convertidas em acções.


Ora aí está o bonito serviço de uma privatização à socialista, feita em 2007, com acções da EDP (António Mexia na altura defendeu esta modalidade porque lhe pareceu bem o Estado garantir que não deixava de ser dona das acções da EDP):


 



Parpública precisa de mais 700 milhões para reembolsar obrigações garantidas por acções da EDP









O Governo aprovou, na última quarta-feira, a conclusão da sétima fase de privatização da EDP, que passará pela venda das acções que ainda estão na posse do Estado. Em causa estão 151.517.000 acções, o que corresponde a 4,144% do capital da eléctrica. Contactada pelo Negócios sobre se o valor que terá de reembolsar aos obrigacionistas já está garantido, fonte oficial da Parpública garante que “honrará todos os compromissos assumidos perante os seus credores, de forma tempestiva, como aliás sempre o fez, não constituindo a emissão da referida emissão obrigacionista qualquer excepção”, não acrescentando mais informação sobre esta operação.

Estas acções ainda estão nas mãos do Estado, através da Parpública, porque foram usadas como garantia num empréstimo obrigacionista da Parpública em 2007, no valor de 1,015 mil milhões de euros. A maturidade deste empréstimo é em Dezembro de 2014, mas ficou previsto que em 2012 havia a possibilidade dos titulares das obrigações poderem receber o reembolso deste empréstimo.

Os obrigacionistas podem decidir também trocar as obrigações por acções da EDP, mas se optarem por esta hipótese só o poderão fazer em 2013. Ainda assim, os investidores deverão aceitar o reembolso uma vez que o valor das acções da EDP não é tão atractivo actualmente como o valor do reembolso.

Assim, no próximo dia 18 de Dezembro os obrigacionistas terão de fazer uma escolha, ou recebem o dinheiro ou permanecem com as obrigações e poderão, no próximo ano trocar por acções da EDP.

Assim, em Dezembro a Parpública terá de pagar o juro correspondente a este empréstimo, no valor global de 32,9 milhões de euros e, caso os obrigacionistas aceitem o reembolso, a Parpública terá de desembolsar também os 1,015 mil milhões de euros.

Se considerarmos o valor actual das acções da EDP, de 2,08 euros, ao vender os cerca de 151 mil títulos detidos, a Parpública vai encaixar 315,15 milhões de euros, o que significa que faltam cerca de 700 milhões de euros para cobrir o valor do reembolso.



2 comentários:

  1. Qual é o problema ?

    Porquê tanto espanto.

    Esta direita ressaibiada critica tudo o que é Sócrates.

    O gajo não vale nada, mas vocês pensam que há milagres quando não há dinheiro.

    Deixem de ser idealistas.

    Portugal não deve ter empresas públicas, participações aqui e ali, museus, fundações da treta e acima de tudo, um exército de "térmitas" que são os funcionários públicos.

    O país está falido, e eu que me farto de trabalhar não estou para pagar chulos.

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    1. Não percebi o seu comentário. Começa a dizer uma coisa e acaba a defender o seu contrário....

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