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O que mais desanima nesta polémica que de repente se instalou com as declarações de Isabel Jonet, é o desalento de os portugueses não conseguirem sair da anacrónica luta de classes. Para os portugueses, tudo, mas absolutamente tudo se resume a disputas de classes sociais. Os portugueses nem percebem que são os maiores inimigos do progresso do país. Porque são classistas que é o oposto da meritocracia.
A inteligência está em defender que todos nasçam iguais (que o "donde vêm" seja genuinamente ignorado) para que todos morram diferentes (porque a sua vida fez a diferença). Mas a vida só pode fazer a diferença se o contexto não condicionar a evolução pessoal. Neste país os nossos sonhos estão muito limitados pela expectativa dos outros, que por sua vez é formatada por conceitos de classe anacrónicos.
As indignações à volta das declarações de Isabel Jonet nascem do pior espírito ressabiado, da esquerda que é de esquerda por pertença social. Os complexos sociais, os preconceitos sociais (que atravessam todas as classes), as invejas, as frustrações, as revoltas sociais contra as classes dominantes correm no sangue dos portugueses, a soberba social corre no sangue da elite portuguesa, Isto leva a que tudo, mas absolutamente tudo, se resuma a isto: vivemos na mesma luta de classes que Marx descreveu. Todos já sabemos que quando a Isabel Jonet e Fernando Ulrich falam, emergem das profundezas todas as revoltas sociais e preconceitos de classe. Isso ofusca os discursos, ofusca as palavras (que são ouvidas com um pensamento já tendencioso), ofusca as ideias novas, ofusca a razão. Ninguém ouve o que se diz, mas sim o que a pessoa que o diz é (e o que a pessoa é está confinada a conceitos limitados de classe).
Deixo a este propósito uma citação de Margaret Thatcher:
"I think we've been through a period where too many people have been given to understand that if they have a problem, it's the government's job to cope with it. 'I have a problem, I'll get a grant.' 'I'm homeless, the government must house me.' They're casting their problem on society. And, you know, there is no such thing as society. There are individual men and women, and there are families. And no government can do anything except through people, and people must look to themselves first. It's our duty to look after ourselves and then, also to look after our neighbour. People have got the entitlements too much in mind, without the obligations. There's no such thing as entitlement, unless someone has first met an obligation."
Portugal é um país lindo, Lisboa a cidade com a luz mais bonita do mundo. É fantástico viver em Lisboa pela qualidade de vida que proporciona a um preço bastante razoável. Pode-se dizer que Portugal tem um fantástico hardware. Mas o software do país estraga tudo. As ideias dos portugueses transformam este país numa prisão.
Think outside standards, please!
Alguém me corrigiu num comentário ao mesmo post que publiquei no blog Corta-Fitas, dizendo que o problema não é o software mas antes o sistema operativo. Estou inclinada a concordar, sim é o sistema operativo que tem muitos bugs....
ResponderEliminarMaria, vou citar uma pessoa insuspeita, O Henrique Monteiro, que disse: "A obra de Isabel Jonet fala por si. Mas há uma certa categoria de gente para quem o importante são palavras. Para quem os pobres não são pessoas reais, com qualidades e defeitos, mas categorias político-filosóficas abstratas. Claro que nenhum daqueles que critica violentamente Isabel Jonet terá feito um centésimo do que ela fez no combate à pobreza e à fome em concreto. Mas a pessoas assim não interessam obras nem atos concretos. Apenas ideias e palavras.
Eliminarin: http://expresso.sapo.pt/isabel-jonet-as-palavras-e-os-atos=f765673#ixzz2Bke515jD
E então António, ouviste o video? As palavras dela são sábias. As pessoas não gostam de ouvir a verdade, preferem uma ilusão ideológica. A austeridade que vivemos obriga as pessoas a descer o seu nível de vida, ninguém gosta, eu também não. Mas sei que sem esta política estaríamos agora muito pior, já viste bem a Grécia?
ResponderEliminarA maior parte das pessoas que critica a austeridade, nunca fez nada, viveram à custa do Estado, alguns da Função Pública vivem a pôr baixas médicas, etc...
Isabel Jonet tem toda a razão. As pessoas educaram os filhos a terem tudo, tudo, o mais moderno gadget, o colégio mais caro. Isso vai ter de acabar, porque afinal vivemos num país falido.
Gosto deste post... alguém que tenha uma opinião diferente. Irra que já chateia ouvir dizer que Isabel Jonet não foi politicamente correcta. Tudo o que ela disse foi absolutamente sincero e realista. Os tugas gostam muito de se esconder atrás de palavras bonitas.
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