Notícia de hoje:
Mesmo crescendo 2% ou 4% ao ano, não dá. Portugal está numa "situação crítica" e vai ter de renegociar com os credores um desconto de "33% a 50%" da sua dívida pública, diz um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial, um conceituado centro de investigação da Alemanha.
A dívida da República portuguesa está hoje perto dos 200 mil milhões de euros, o que significa que, na pior das hipóteses, o Governo teria de renegociar cerca de 100 mil milhões, perto de 58% do produto interno bruto (PIB).
De acordo com os economistas David Bencek e Henning Klodt, "será inevitável um haircut radical" em Portugal, Itália e Irlanda. Por esta ordem. Na Grécia também, mas o caso é tão grave (está a caminho da bancarrota total) que é tratado à parte.
O "haircut" não é mais que um desconto substancial concedido pelos credores após negociação dos termos dos empréstimos contraídos pela República Portuguesa de modo a viabilizar o cumprimento – redução das taxas de juro, pagamento em prestações mais suaves, obter um prazo de amortização mais alargado, por exemplo.
A factura de juros a pagar por Portugal (mais de cinco mil milhões de euros ao ano, até 2015, pelo menos) é tão pesada, que a economia teria de crescer bem mais que 4% para ter músculo e aguentar todo esse endividamento.
Ou seja, vamos viver em austeridade até sermos velhinhos.
Já sei que todos vão dizer que isto é uma cabala contra nós vindo do país da Merkel. Os portugueses são exímios em escolher a via de pensamento mais fácil, e por isso exorcizar a nossa precária situação acusando os alemães de dominadores e ditadores é mais fácil. Acho uma graça ao mundo endividado e dependente que se manifesta contra os alemães como se a culpa do excesso de dívida dos seus países fosse da Alemanha. Aproveitem para espreitar o Correio da Manhã para ler esta notícia, onde no Governo de Sócrates havia um saco azul para as despesas dos Ministros que escapavam ao Orçamento de Estado, eram os cartões de crédito.
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