Tudo começou quando o Conselho de Ministros escolheu a Three Gorges para a privatização da EDP, em nome do dinheiro. Logo vieram de assalto os suspeitos do costume. O preço pelos 2,7 mil milhões que os chineses pagaram pela EDP foi a continuação da lógica do jogo de xadrez de poder que dominou as últimas décadas.
Em Portugal o Estado nomeia representantes quando é dono das empresas e os gestores e accionistas das grandes empresas, utilities e monopolistas, que dependem da forte regulação, escolhem políticos para os conselhos não executivos para facilitar contactos. Os executivos usam os lugares não executivos para contratar pessoas que 'podem vir a abrir umas portas'. Assim lixam os governos. Quem ficou a perder com tudo isto foi Pedro Passos Coelho, perdeu capital de credibilidade, que é o mais difícil de se conquistar. Tudo por causa da tentação de alguns de perpetuar o poder e as fontes de negócios. A REN vai pelo mesmo caminho. E a chinesa State Grid, que já era a mais que provável vencedora da privatização (por conta de uma operação prevista em Moçambique em troca da venda de Cabora Bassa) já lá tem os mesmos a apoiar. Lá vamos nós ter umas pessoas cheias de mérito, ligadas aos partidos do Governo, em lugares nunca executivos.
Eduardo Catroga é um homem com mérito, já estava há dois mandatos no CGS da EDP. Mas tanto mérito e quando fala só diz disparates: o critério de escolha para a EDP foi o facto de "Sermos caras que os chineses já conheciam". Mas alguém escolhe administradores pela cara? Desvenda ainda outra triste verdade: "Esse também foi o critério que foi utilizado na remodelação do conselho de administração executivo, pessoas que se dão muito bem com António Mexia e que os chineses conhecem".Parece-me que 'já tinham ouvido falar' destes nomes e zás ... então acharam bem. É uma lógica de imprensa cor de rosa. E como antes eles que nós, fritou o CDS/PP: "Não sei como apareceu o nome de Celeste Cardona". Mas que embrulhada. Bastava dizer a verdade: António Mexia, e os accionistas BES, BCP e Mello, juntaram-se à mesa escolheram uns nomes úteis, alguns deles com ligações à China para demonstrar a boa vontade para com os novos donos, propuseram a lista aos chineses que não conhecendo ninguém confiaram no seu adviser financeiro (BESI) e pronto está feita a coisa.
Quem se lixou foi o Governo.
Publicado no Corta-Fitas
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