sábado, 8 de outubro de 2011

O belo, o feio e a arte como um jogo para a alma


 


 


Johann Karl Friedrich Rosenkranz, filósofo alemão oitocentista, escreveu sobre a beleza e a sua negação, dizendo que «se não existisse a beleza, também não poderia existir o feio, porque este existe apenas como negação do primeiro».


 


Não posso estar mais em desacordo! O feio é também uma qualidade autónoma das coisas. Por outro lado, a distinção que fazemos coisas, dizendo é "bela" ou é "feia"resulta da nossa capacidade e (até) "direito" à valoração como, também, numa reacção anti-sistémica, onde o "belo" é um agregador e mesmo conveniente e o feio subversivo! Se não fosse assim não existiria uma história, uma sociologia ou uma filosofia da arte, porque seriam desnecessárias. A arte deve ser vista como um jogo, porque funciona como “um primeiro passo na conquista de um domínio que ultrapassa a vida quotidiana e as suas configurações. O jogo deixa atrás de si, conscientemente, o quotidiano e seus cuidados materiais, cria divertimento e satisfação e, contudo, força os seus participantes, totalmente, ao seu encanto”. Aliás, como acrescenta F . Heinemann,  convém não esquecer que “a alma também joga”[1]!


 


 


 


 


 






[1] Heinemann, F; “Estética” in A Filosofia no Século XX, Fundação Calouste Gulbenkian, 4ª Edição, Lisboa, 1993, p.453.





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