sábado, 15 de outubro de 2011

Haverá quem nos compre os títulos depois de 2013?


 


O desafio do Governo de Pedro Passos Coelho é reduzir o défice público para os 3% do PIB em 2013. Altura em que Portugal terá de pagar à troika os 78 mil milhões de euros que lhes foram emprestados pelo FMI, BCE e Comissão Europeia (troika). E, acredita o Governo português e a Angela Merkel, que basta Portugal voltar a cumprir as metas do défice estipuladas no Tratado de Maastrich para que as Pimco (maior gestora de fundos de dívida soberana), as Goldman Sachs, Morgan Stanley e Merrill Lynch voltem a investir em obrigações do Tesouro português.  


Mas o que eu acho é que os investidores ainda se lembrarão que um dia investiram em Obrigações do Tesouro da Grécia, um país da UE que cumpriu em tempos as metas de 3% do défice orçamental sobre o PIB e de 60% de dívida pública sobre o PIB, e que passado uns anitos entrou em default. Enquanto se lembrarem disso os investidores não vão querer ver obrigações do tesouro de países pobres e indisciplinados da UE, ainda que cumpram critérios de Maastrich, porque vão se sempre lembrar que quando compraram obrigações gregas também a Grécia cumpria...


 


E se não houver mercado de obrigações para Portugal em 2013? Como é que o país se vai financiar? E os bancos portugueses onde arranjarão dinheiro? Se Portugal continuar sem financiadores depois de 2013, parece-me que não restará outra alternativa à União Europeia senão expulsar Portugal e a Grécia da UE. A austeridade de hoje é inevitável para repor o défice orçamental e a dívida pública nos níveis definidos para se estar no euro, mas a verdade é que não garante o futuro.

1 comentário:

  1. António Pereira de Carvalho16 de outubro de 2011 às 00:28

    "A confiança e a virgindade só se perdem uma vez"

    Portugal tem a credibilidade de um adicto... A adição de Portugal não é a cocaína, nem o sexo, nem o jogo, mas sim DÍVIDA, DÍVIDA, DÍVIDA, desde há 37 anos e tinha que acabar mal... Também me palpita que crédito, de novo, só noutra geração, ou quase... Sem equilíbrio orçamental duradouro e credível... Pergunto-lhe: emprestava 1.000 € a Portugal?


    E aqui fica extracto ANTOLÓGICO de artigo de Vasco Pulido Valente de ontem no Público:

    «Só ficou espantado com o discurso de Passos Coelho quinta-feira quem pertencia à larga parte dos portugueses que achavam a nossa vida normal até agora: tanto a nossa vida como indivíduos, como a nossa vida como país. Se era razoável copiar a Europa, sem o dinheiro da Europa, então fomos razoáveis. Sucede que não era e nós fomos colectivamente loucos. Não havia um "Estado social", resolvemos fazer um "Estado social" e também (porque não?) auto-estradas por toda a parte, monumentos sem destino e sem utilidade (o CCB), estádios de futebol, exposições, rotundas (para a província) e bairros sobre bairros para os subúrbios de cidades que, de resto, iam pouco a pouco morrendo. Portugal ficou com um ar "moderno", não ficou?»

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