quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Entre a espada e a parede


 


Os bancos portugueses nem querem acreditar no beco sem saída a que está votada a sua mera existência. Por causa da República secaram-lhe a liquidez. Não há fundo, banco, sociedade financeira, fora do país, que invista num única obrigação de um banco português. Ninguém empresta dinheiro aos bancos nacionais. Sem acesso a fontes de financiamento os bancos recorreram à dívida República para usarem como moeda de troca com o Banco Central Europeu, única fonte de financiamento externa, praticamente. Para irem ao BCE (pedir emprestado a curto prazo) os bancos desataram a investir em activos elegíveis (isto é, susceptíveis de serem aceites como colateriais junto do BCE), isto, é dívida pública. Para agravar a coisa, quando o rating da República desceu de A para B, tiveram de arranjar mais obrigações do tesouro para cobrir empréstimos passados. 


Agora a mesma Europa vem penalizar quem tem obrigações do tesouro. Ontem ficou decidida  avaliação a preços de mercado das exposições a dívida soberana.  Para cumprir com as metas europeias, o BCP tem de reforçar os rácios de capital em 2,361 milhões e o BPI necessita de 1.717 milhões.


O Estado entra assim à força no capital dos bancos privados, é uma espécie de nacionalização disfarçada.

4 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho27 de outubro de 2011 às 01:43

    “Não procures esconder nada: o tempo vê, escuta e revela tudo.”
    Sófocles
    (496-406 a. C.)

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  2. António Pereira de Carvalho27 de outubro de 2011 às 01:45

    "Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal."
    Séneca
    (4 a.C – 65 d.C)

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  3. António Pereira de Carvalho27 de outubro de 2011 às 01:50

    “Um espinho de experiência vale toda a selva de avisos”
    James Lowell
    (1819-1891)

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