domingo, 4 de setembro de 2011

Arthur Rimbaud

 


 


Canção da Mais alta Torre


Ociosa juventude
A tudo oprimida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah ! Que venha o dia
Em que os corações se amem.
 


Eu me disse : cessa,
E ninguém te via :
E sem a promessa
De mais alta alegria.
Que nada te detenha,
Grandiosa retirada.


Tive tanta paciência
Que para sempre esqueço;
Temor e penitência
Aos céus partiram.
E a sede doentia
Me escurece as veias.

Assim o Prado
Ao esquecimento deixado,
Engrandesce, e floresce
De joio e incenso
Ao zumbir tenso
De cem moscas sujas.

Ah ! Tanta viuvez
Da alma que chora
E só tem a imagem
Da Nossa Senhora !
Será que se ora
À Virgem Maria ?


Ociosa juventude
A tudo oprimida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah ! Que venha o dia
Em que os corações se amem !


 

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