segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um comentário que merece um post


 


O meu último post teve um comentário inteligente da Maria que merece ser respondido com merecido destaque.


 


Escreveu a Maria que a "Bélgica é o pior exemplo do mundo.... é provavelmente o país mais maluco de todos os tempos." Tem razão no que diz. De facto a Bélgica nem é um país, é uma espécie de uma mistura entre um cocktail molotov e uma salada russa. Composta por três realidades distintas - a que se acresce uma minoria germânica: Flandres, Valónia e a Região de Bruxelas capital. De há bastante tempo a esta parte que os flamengos se pretendem separar dos "valões" - francófonos. Na sua curta história (a Bélgica "só" foi reconhecida em 1870) a Valónia, onde se situavam as principais industrias têxteis, era mais rica do que a Flandres. Todavia, com as decadência que conhecemos das industrias têxteis na Europa, a Flandres com um cariz mais comercial - são o grande centro europeu do comércio de diamantes - tornou-se mais próspera. Por outro lado, se recordarmos que 60  por cento da população belga é flamenga a situação é de facto complexa e estes 365 dias sem governo tornar-se-ão numa "eternidade". Pessoalmente não auguro um final feliz para esta história. Poderíamos inclusive supor o fim da Bélgica. Mas a que custos? O que fazer da Região de Bruxelas Capital que graças ao processo de construção europeia tornou-se na "capital de todo nós"!?


 


No entanto, se perante este cenário a Maria tem razão ao afirmar que é o país mais maluco de todos os tempos, o que eu pretendi sublinhar com este post é que a existência ou não de governos sólidos não é, de per si, garantia de estabilidade. Porque, se assim fosse a Grécia, a Irlanda e nós seriamos, como os demais,"eldorados" e não se teria chegado onde chegamos. Só isso!


 


Porém, acontece que a democracia vive de escolhas. Uns ganham, outros perdem e muitos "empatam-se"! Porque mais do que se viver em democracia é preciso assumir-se, para o bem e para o mal, a democracia aceitando as regras do jogo! A não ser que preferamos modelos "ileberais"!?

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