sexta-feira, 17 de junho de 2011

A árdua tarefa de gerir a Cultura


 


A cultura é uma arma contra o preconceito, contra a preguiça, contra a desonestidade e contra a falta de sentido crítico próprio. Mas a aposta na cultura não é abrir um "museuseco" aqui e ali, ou organizar eventos de moda, não é gerir guerrinhas de comadres nos teatros.


Investir na cultura é pôr as crianças desde a pré-primária a aprender a distinguir Mozart de Beethoven, a aprender história de arte desde a primária, é proporcionar o gosto pela literatura, é criar sentido crítico, incentivar a criatividade e a expressão artística, ensinar que a estética é um devir. No fundo é ensinar o gosto pelo belo.


Portanto uma difícil tarefa.


 


Não é possível apostar na cultura sem a associar à educação.


 


O escritor Francisco José Viegas, que é o responsável pela editora Quetzal e colunista do Correio da Manhã, vai ser o próximo secretário de Estado da Cultura. Tal como tinha sido anunciado por Pedro Passos Coelho durante a campanha eleitoral, essa área deixa de ter ministério, ficando sob a alçada directa do primeiro-ministro.

9 comentários:

  1. Tudo o que escreveste é verdadeiro mas no entanto é preciso sublinhar que é vago pois não há nada mais vago, porque enganador, do que a estética: O que é belo para ti não tem que ser necessário belo para os outros, ou seja, o importante é instrumentalizar o observador para que ele livremente saiba descortinar a beleza das coisas e isso não é, de per si, tarefa para uma secretaria de estado da cultura. É um desígnio nacional, logo de educação, pelo que, como num passado recente a SEC deveria depender do Ministério da Educação.

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  2. Bem António tu começas por dizer uma coisa e acabas a dizer o seu contrário.
    Não concordo com a primeira parte.

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    1. Não vejo onde haja contradição. Tu escreveste, e vou citar, que "a cultura é uma arma contra o preconceito, contra a preguiça, contra a desonestidade e contra a falta de sentido crítico próprio". E concordo. No entanto, aquilo que eu disse ou quis dizer que não é função de uma SEC tornar as pessoas cultas - é, como escreveste, uma questão de educação.

      No entanto o ensino do belo é de facto uma tarefa árdua. Porque partes do princípio de que aquele que ensina é portador da ideia de belo. E como é óbvio eu não aceito que me imponha algo supostamente belo quando isso não me diz rigorosamente nada. Aliás, para mim - entremos na ideia de arte - o produto artístico é antes tem uma intenção "comunicacional". O artista deseja que haja o necessário feed back entre o observado e o observador. A crítica, por um lado, e o mercado - a arte de há muito que se alimenta do sistema galerista - espelham isto mesmo. O que não quer dizer, que em si mesmo, uma obra "respire arte e genialidade". Portanto, o que seria da Gioconda ou uma tela impressionista etc., se estas nunca tivessem sido expostas? Deixavam de ser obras de arte?...

      De facto...não seria a mesma coisa. Não é? Concluindo: há que deferenciar a cultura como produto da cultura como resultado. Eu há muito tempo que penso assim!

      P.S. - A História da arte pode tornar-nos mais cultos mas não nos dá a visão estética do real. Porque se assim fosse eu teria que gostar de tudo o que, ao longo da humanidade foi criado. E há coisas, muitas coisas que eu detesto. Mesmo!!!

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  3. Dizes que a cultura não se ensina, e que o belo é relativo, para acabares a dizer que a SEC deve estar na dependência do Ministério da Educação.

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    1. o que se ensina é o direito à diferença, que há belo e o seu oposto. só isso. O que se deve ensinar é saber destrinçar e explicar, porque para nós x é belo e z não o é. só isso.

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  4. Direito à diferença, ideia dúbia, cabe lá tudo...

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    1. melhor isto do que autómatos que vivem condicionados por regras (estas sim dúbias) impostas.

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    2. Eu acho que estás confundir liberdade de pensamento, liberdade criativa, de expresão com uma regra: direito à diferença. A diferença não é um direito a reclamar, é espontâneo da natureza, somos todos diferentes, mas também somos todos iguais.
      Somos parte de conjunto.
      O gosto pelo belo é universal. E apesar de não ser óbvio, também o belo não é assim tão relativo, o que acontece é que as há pessoas que têm os sentidos mais apurados que outras, e isso interfere na percepção, pode demorar mais tempo até gostarem de uma coisa boa, ou nunca chegarem a gostar. Era importante a educação para criar nas pessoas a sensilidade. Não sei se reparas que quem viu muito cinema, muitos dos filmes de culto, às tantas detecta melhor se um filme é bom ou mau.
      A qualidade não é relativa e não depende do receptor (mas sim do emissor) isso é uma deturpação de análise.

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    3. Finalmente temos algo em comum. A arte (resultado) é um simples produto comunicacional. Só isso!

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