quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A trumpada


 


A palavra não consta em nenhum dicionário, logo não é portuguesa. Que se lixe: a “trumpada” reflecte o que eu penso sobre a candidatura, e em particular a criatura que os republicanos elegeram como seu candidato às eleições presidenciais norte-americanas de Novembro. Sempre que ele abre a boca sai de imediato, como se não tive cérebro, uma “trumpada”, i.e., algo sem qualquer sentido, a não ser a necessidade de pôr carne no assador. É verdade. Não gostando do estilo, a “trumpada” é uma arma eleitoral e um instrumento para conseguir os seus intentos.


O que me choca - mas o mal é global – é o facto do discurso, feito no presente, não corresponder à realidade e, neste caso, um branqueamento das responsabilidades históricas das administrações republicanas. Ontem, Donald Trump argumentou que o Presidente Obama é “o fundador do ISIS [Estado Islâmico]" e que Hillary Clinton, sua rival na corrida à Casa Branca, a “cofundadora” deste grupo terrorista.


 O setecentista francês Rochefoucauld escreveu que “toda a gente se queixa da sua falta de memória, mas ninguém se queixa da sua falta de senso.” Donald Trump, nesta tirada, consegui juntar as duas: a falta de memória e uma imensa falta se senso. Será que ele não sabe ou ninguém do seu staff o pôs a par da história da política norte-americana no pós-degêlo? Com que então ninguém o informou que as origens do ISIS está uma guerra injustificável, elaborada pela administração Bush, com o falso argumento da existência de armas nucleares no Iraque e, a jusante, com a intenção de insensibilizar o Médio Oriente?


Porém a administração Obama ( e, por ócio do ofício, Hillary Clinton) e o ocidente em geral tem culpas no cartório, nomeadamente quando demonstram uma crítica falta de leitura geopolítica ao ao apoiar militarmente a “primavera árabe”. Tinham aberto a caixa de pandora.


Seja como for entre a realidade e a “trumpada” vai uma grande distância, pelo que um pouco de memória e bom senso não lhe faria mal nenhum.

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