quarta-feira, 2 de março de 2016

A morte é lixada. Que se lixe a morte



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A noticia é de ontem. Mas a reflexão é de hoje e é minha, que salvo as devidas distâncias, já que me armo em artista plástico, era companheira de ofício. A morte é uma coisa lixada (apetecia escrever um palavrão). É. É mesmo. 





Se é verdade que para o cristão a morte deixou simplesmente de existir. O mesmo, e salvo as devidas distâncias, acontece para aqueles, inclusive ateus ou agnósticos, que souberam ou simplesmente conseguiram assinar o seu tempo, i.e. existindo. E a arte é sobretudo, para além do belo que procuram transmitir, um exercício de existência, e também de visibilidade. Pois não basta pintar, esculpir ou escrever. Porque a arte está quando o artista sai do seu "feto" e dá a conhecer o que fez. E a Ana fez!

 

Que a sua alma, seja no paraíso ou no panteão dos artistas, descanse em paz. Porque se é certo que a morte é mesmo lixada, é preciso gritar que ela se lixe, porque nós mesmo mortos viveremos para sempre. E para que isto aconteça é também preciso que os homens da tutela (das tutelas) recordem aqueles que partiram e procuram transmitir, a um um povo invariavelmente cinzento, o belo. O que ajuda muito!

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