Já levo toda a experiência de vida a ser o alvo preferido da mediocridade. É uma verdadeira sina.
Não sei se é uma especificidade da sociedade portuguesa, desconfio que sim, o reduzido tamanho do país e a parca cultura, a que se junta uma enorme insegurança e desconfiança pelo que não percebem, devem explicar. Mas o que é certo é que é difícil encontrar pessoas de bem. Pessoas leais e de confiança. Pessoas sem agendas escondidas e sem interesses pessoais. Pessoas que não tenham reticências na amizade. Pessoas que não tenham medo do amor. Pessoas que valorizem os outros, e lhes reconheçam o mérito, mesmo que haja quem quer fazer passar o contrário. A corrupção da sociedade portuguesa começa no pensamento e na opinião, não começa nos políticos, nem nos homens de negócios, é na opinião. Pessoas que se aliam para fazer passar opiniões que servem interesses privados e caprichos, pessoas que adaptam o seu próprio pensamento à conveniência não são menos corruptas do que os banqueiros, ou os empresários que se aliam a governos.
Muito boa e oportuna reflexão/constatação!!! Mas eu já só pedia pessoas decentes, no sentido abaixo exposto... Se bem que me parece que umas têm a ver com as outras...
ResponderEliminar"Temos pouca gente decente em Portugal.”
(Ler tudo para perceber o conceito de DECENCY de que se fala...)
“...Tenho andado a trabalhar num conceito que é desconhecido em Portugal, ou pelo menos pouco praticado: a decência.” Explique lá isso. “É a tradução em calão português do maior conceito de cidadania anglo-saxónico, decency. Não vamos entrar no reino das nuvens, das grandes frases e da retórica. Uma das primeiras manifestações da decency é o trabalho competente. Aqui, quando se fala num tipo decente, é um tipo que lava as mãos ou outra coisa no bidé todos os dias. Um conceito de higiene física. Temos pouca gente decente em Portugal. É um dos falhanços do 25 de Abril, que trouxe tantas coisas, mas que nunca conseguiu criar um conceito de cidadania e de decência para a generalidade das pessoas. ...”