quarta-feira, 11 de julho de 2012

Deve ser um problema meu...


Mas não consigo encontrar em lado nenhum os motivos concretos e urgentes que levaram os médicos a fazer greve. Isto assume particular importância quando na minha ida ao endocrinologista, esta semana, o médico, sabendo que sou jornalista, me perguntou o que é que achava dos médicos e desta greve? Fiquei arrumada (até porque estava cheia de pressa para voltar para o jornal). Fiquei sem palavras porque não só não acompanho o tema como tudo o que se ouve de passagem nas televisões jamais toca na essência das reivindicações, e qualquer coisa que eu respondesse sem conhecimento não iria passar de preconceitos e clichés (sim, eu sei que é o que faz quase toda a gente, mas eu evito). 


O que eu sei: que Paulo Macedo, o ministro, é um torpedo, isso sei, não tem qualquer diplomacia ou complacência. Depois tenho uma ideia (baseada na ignorância) que os médicos não gostam que lhe mexam em privilégios. Tenho também a ideia que o Serviço Nacional de Saúde está falido.


Atenção que eu tenho uma enorme admiração pela profissão, sei que o Estado paga pessimamente ao médicos e que os que vivem fora das grande cidades nem sequer ganham no sector privado o suficiente.


Mas dizia eu, perante a minha ignorância (que é a mãe do conhecimento, by the way), fui ver à internet o motivo da greve dos médicos. Descobri que são 20 os motivos. Mas comecei a ver e uns eram vagos e outros não me parecia dar uma grande razão aos médicos. Por exemplo: "criticam a publicação de um concurso público que visa adquirir pelo mais baixo preço 2,5 milhões de horas em serviços nas instituições públicas". Porquê que criticam? Um concurso público parece ter vantagens de transparência.


Outra: exigem “a imediata anulação do concurso de contratação de empresas privadas e a implementação dos concursos legais de recrutamento dos médicos, aplicando na prática a legislação sobre as carreiras médicas”. Porquê?


Criticam o expurgo dos cidadãos "não frequentadores" das listas de utentes dos médicos de família (que é uma exigência da troika), o que me parece que aumenta o número de doentes por médico de família. Ora a mim parece-me bem. Os médicos de família aumentam o número de doentes porque passam a incorporar mais doentes como eu que nunca vou ao médico de família. Parece-me que não vão ter mais trabalho por isso. 


Mas como digo no título, deve ser um problema meu, mas gostava de perceber o que querem mesmo os médicos com esta greve de dia 11 e 12?

1 comentário:

  1. É só para a sossegar e não pensar que é uma anormal: eu também não consigo apreender os fundamentos desta greve. Como tal, qualifico-a como uma greve política, em que apenas se visa perturbar a ação governativa para quer tudo continue na mesma (digo eu).

    ResponderEliminar