quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Para inglês ver

Ando um pouco afastado disto tudo. De facto não estou a ligar grande importância a esta campanha, nem mesmo um fait divers como a nudez da líder da coligação Agir entusiasma! Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.


Dito isto até parece que me irei abster. Não, pelo contrário. Votar é um acto de cidadania, e sinto-me incapaz de passar um cheque em branco, delegando noutros (nos votantes) o futuro de Portugal.


É aliás o futuro de Portugal que me leva a este aparente desinteresse pela campanha. Ganhe, que ganhar, nada, será diferente. Será que alguém, com três dedos de testa, acha que caso o PS ganhe, mesmo que coligado pós-eleitoralmente com o Bloco de Esquerda, já que ouvi falar nesse cenário, irá governar diferentemente do que tem sido feito, de há quatro anos a esta parte, pela coligação?


Será que as pessoas, na sua ingenuidade, acham que alguma coisa vai mudar? Será que iremos sair da crise ou acabaremos todos nus, com uma mão á frente e outra atrás, como parece sugerir a fotografia de Joana Amaral Dias?


Sei lá…! No entanto, e bem vistas as coisas, concluo que o verdadeiro fait divers são as eleições agendadas para 4 de Outubro. São, como diz o povo, para “inglês ver”! Não nos levarão a lado nenhum!


 


 

Para inglês ver

Ando um pouco afastado disto tudo. De facto não estou a ligar grande importância a esta campanha, nem mesmo um fait divers como a nudez da líder da coligação Agir entusiasma! Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.


Dito isto até parece que me irei abster. Não, pelo contrário. Votar é um acto de cidadania, e sinto-me incapaz de passar um cheque em branco, delegando noutros (nos votantes) o futuro de Portugal.


É aliás o futuro de Portugal que me leva a este aparente desinteresse pela campanha. Ganhe, que ganhar, nada, será diferente. Será que alguém, com três dedos de testa, acha que caso o PS ganhe, mesmo que coligado pós-eleitoralmente com o Bloco de Esquerda, já que ouvi falar nesse cenário, irá governar diferentemente do que tem sido feito, de há quatro anos a esta parte, pela coligação?


Será que as pessoas, na sua ingenuidade, acham que alguma coisa vai mudar? Será que iremos sair da crise ou acabaremos todos nus, com uma mão á frente e outra atrás, como parece sugerir a fotografia de Joana Amaral Dias?


Sei lá…! No entanto, e bem vistas as coisas, concluo que o verdadeiro fait divers são as eleições agendadas para 4 de Outubro. São, como diz o povo, para “inglês ver”! Não nos levarão a lado nenhum!


 


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Um beco sem saída chamado Novo Banco


O melhor que podia acontecer era o Novo Banco ser comprado já por algum aventureiro que não se importasse de pagar à cabeça uns biliões sem saber o que o espera de aumento de capital a fazer depois dos testes de stress do BCE. O melhor era que algum dos três candidatos tivesse mais dinheiro que dívida e pudesse arriscar no Novo Banco. 


 


O pior que podia acontecer era a venda ser adiada para depois de um aumento de capital imposto pelo BCE. Porque das duas uma, ou o potencial comprador compra imediatamente e põe ele o dinheiro no aumento de capital, abatendo esse investimento ao preço de compra (os tais que deixam um gap face aos 4,9 mil milhões iniciais), ou o Fundo de Resolução tem de ir ao aumento de capital aumentando o esforço para os bancos no imediato.


 


A situação a que chegou o ex-BES e todo o percurso que o banco percorreu desde a falência do Grupo Espírito Santo (e que é culpa dos que o geriam e não do Governo ou dos reguladores)  está a deixar o Governador do Banco de Portugal sem grande saída, e deixa também o Governo, por contágio, numa situação muito complicada.


Há alguns erros de forma neste processo, há que admitir. Por exemplo, devia-se ter avançado para um leilão competitivo, negociando com os três candidatos ao mesmo tempo, para que não se criasse a ideia de um ranking de propostas que deixa o Banco de Portugal na situação de quem tem de vender à segunda ou à terceira escolha. Dá uma ideia de mal vendido, mesmo que na verdade não seja assim.


 


De resto não se percebe porque não se anteviu o problema da indefinição do aumento de capital. É normal que seja difícil oferecer um preço por um banco sem saber qual a dimensão do aumento de capital que vai surgir imediatamente a seguir. Na verdade, no essencial não há nada de novo aqui. O Banco de Portugal sempre soube que iam haver testes de stress e que daí iria surgir a necessidade de um aumento de capital.


 


Acredito também que as contas semestrais do Novo Banco não fossem surpresa para o Banco de Portugal. Os tais 7,9 mil milhões de euros de crédito em risco e a situação de novas imparidades que podem advir da carteira de crédito herdada do ex-BES, não são surpresa para o Banco de Portugal. Por isso este concurso não tem esse elemento de surpresa. 


 


Mas a verdade é que o facto de os testes de stress poderem agravar as imparidades, num banco cujo core capital é de 9,4%, está a pesar muito nas negociações com os dois candidatos que foram chamados para negociações exclusivas. Um já desistiu e outro irá pelo mesmo caminho. 


 


Resta a Apollo, que tem 14,5 mil milhões de euros para investir. Pode ser que um private equity salve a honra do convento. Pode ser. O Banco de Portugal teria a vantagem de poder dizer que vendeu o melhor possível porque os outros não quiseram e assim livrar-se de eventuais críticas.


 


Para os bancos portugueses este é o pior dos mundos. Estão num beco sem saída. Porque ou vendem o Novo Banco e perdem dinheiro com o negócio já. Ou vendem depois e um aumento de capital ainda agrava mais o gap face ao valor do capital do Novo Banco, se não forem mesmo chamados a recapitalizar o banco (uma vez mais) antes da venda.


 

Um beco sem saída chamado Novo Banco


O melhor que podia acontecer era o Novo Banco ser comprado já por algum aventureiro que não se importasse de pagar à cabeça uns biliões sem saber o que o espera de aumento de capital a fazer depois dos testes de stress do BCE. O melhor era que algum dos três candidatos tivesse mais dinheiro que dívida e pudesse arriscar no Novo Banco. 


 


O pior que podia acontecer era a venda ser adiada para depois de um aumento de capital imposto pelo BCE. Porque das duas uma, ou o potencial comprador compra imediatamente e põe ele o dinheiro no aumento de capital, abatendo esse investimento ao preço de compra (os tais que deixam um gap face aos 4,9 mil milhões iniciais), ou o Fundo de Resolução tem de ir ao aumento de capital aumentando o esforço para os bancos no imediato.


 


A situação a que chegou o ex-BES e todo o percurso que o banco percorreu desde a falência do Grupo Espírito Santo (e que é culpa dos que o geriam e não do Governo ou dos reguladores)  está a deixar o Governador do Banco de Portugal sem grande saída, e deixa também o Governo, por contágio, numa situação muito complicada.


Há alguns erros de forma neste processo, há que admitir. Por exemplo, devia-se ter avançado para um leilão competitivo, negociando com os três candidatos ao mesmo tempo, para que não se criasse a ideia de um ranking de propostas que deixa o Banco de Portugal na situação de quem tem de vender à segunda ou à terceira escolha. Dá uma ideia de mal vendido, mesmo que na verdade não seja assim.


 


De resto não se percebe porque não se anteviu o problema da indefinição do aumento de capital. É normal que seja difícil oferecer um preço por um banco sem saber qual a dimensão do aumento de capital que vai surgir imediatamente a seguir. Na verdade, no essencial não há nada de novo aqui. O Banco de Portugal sempre soube que iam haver testes de stress e que daí iria surgir a necessidade de um aumento de capital.


 


Acredito também que as contas semestrais do Novo Banco não fossem surpresa para o Banco de Portugal. Os tais 7,9 mil milhões de euros de crédito em risco e a situação de novas imparidades que podem advir da carteira de crédito herdada do ex-BES, não são surpresa para o Banco de Portugal. Por isso este concurso não tem esse elemento de surpresa. 


 


Mas a verdade é que o facto de os testes de stress poderem agravar as imparidades, num banco cujo core capital é de 9,4%, está a pesar muito nas negociações com os dois candidatos que foram chamados para negociações exclusivas. Um já desistiu e outro irá pelo mesmo caminho. 


 


Resta a Apollo, que tem 14,5 mil milhões de euros para investir. Pode ser que um private equity salve a honra do convento. Pode ser. O Banco de Portugal teria a vantagem de poder dizer que vendeu o melhor possível porque os outros não quiseram e assim livrar-se de eventuais críticas.


 


Para os bancos portugueses este é o pior dos mundos. Estão num beco sem saída. Porque ou vendem o Novo Banco e perdem dinheiro com o negócio já. Ou vendem depois e um aumento de capital ainda agrava mais o gap face ao valor do capital do Novo Banco, se não forem mesmo chamados a recapitalizar o banco (uma vez mais) antes da venda.


 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Mistério da venda do Novo Banco (como sabemos quem são os candidatos?)

 



Algo está podre no reino da venda do Novo Banco. Desde o início do ano que o Novo Banco está em processo de venda. Em todos os comunicados era omitido os nomes dos candidatos. Mas em surdina saía das entidades oficiais os nomes dos candidatos Anbang; Apollo e Fosun. Em nenhum comunidado o Banco de Portugal diz os nomes dos interessados. O que se sabe, sabe-se por conversas não oficiais com os protagonistas.


O que era a verdade até ontem era isto:


Anbang deu uma proposta muito mais alta, cerca de 3,5 bi. Mas exigiu garantias estatais sobre imparidades futuras de créditos do Novo Banco. A Fosun, deu o preço mais baixo. Cerca de 1,5 bi, porque a Fosun não queria competir com a Anbang, seus conterrâneos. Havia até a intenção de sair da corrida, por desinteresse, "porque aquilo não vale".Mas as propostas vinculativas eram válidas até fim de Outubro.


Sabia-se que a Apollo deu a segunda proposta mais alta.


O comunicado do Banco de Portugal assumia que  havia numa segunda proposta e uma terceira e que se falhassem as negociações com o primeiro avançavam para o segundo. As propostas mais altas eram a da Anbang, Apollo, Fosun, todos assumiam isto. Todos mesmo. 


O Banco de Portugal comunica hoje que as negociações falharam com o primeiro candidato e que avançam os segundos candidatos. Ora todos olharam para a Apollo. Mas pelo que parece, os chineses perder ainda vá, para os norte-americanos é que não. 


Hoje de manhã começa a surgir o rumor que talvez a segunda melhor proposta fosse a da Fosun. De repente a Fosun é quem tinha a segunda melhor proposta. A Fosun que tinha dito que a sua aposta era a saúde e a felicidade, começa a dizer à Reuters que continua empenhada no Novo Banco. 


De repente salta para a ribalta: a Fosun tem a segunda melhor proposta e foi convidada para as negociações. O Banco de Portugal não diz isso em comunicado. Mas isso não quer dizer nada. Porque a notícia é oficiosamente confirmada.


Mas as outras notícias também eram oficiosamente confirmadas.  


Agora é legítimo perguntar: será que o Banco de Portugal esteve em negociações com a Anbang? É que nunca disse em nenhum comunicado oficial que era a Anbang. Na verdade nem nunca disse em nenhum comunicado que os interessados eram a Apollo e a Fosun. Na verdade nunca disse que a Anbang tinha a melhor proposta. Como sabemos que foi assim? Pelas mesmas fontes que nos disseram que a Apollo tinha a segunda melhor proposta.


O que levou ao engano? Um engano que foi dos jornalistas mas também dos próprios candidatos.


É que cada um dos candidatos recebeu uma carta a dizer quem passava à IV fase das negociações e a dizer que a escolha tinha por base um ranking de valores. 


Não disse mais nada na carta. Mas a esta carta era junto um anexo. Nesse anexo havia uma lista dos nomes e cada destinatário tinha o seu nome nessa lista. Os outros, ou o outro que não passou num primeiro momento à quarta fase, aparecia ocultado, estando no seu lugar uns pontinhos.


 Em primeiro lugar aparecia a Anbang, e depois vinha a Apollo (no caso do anexo da carta à Apollo), e o outro que aparecia com três pontinhos. Obviamente a Fosun. Na carta à Fosun a mesma coisa, havia a Anbang, e depois uns pontinhos e por fim Fosun. Todos pensaram que era um ranking. Todos assumiram que aquele era o ranking.


Mas o Banco de Portugal, diz-se nos bastidores, fez aquela lista com base numa "Ordem Alfabética"!!!! Inacreditável? Claro. Acredito mesmo. 


 


 

O Mistério da venda do Novo Banco (como sabemos quem são os candidatos?)

 



Algo está podre no reino da venda do Novo Banco. Desde o início do ano que o Novo Banco está em processo de venda. Em todos os comunicados era omitido os nomes dos candidatos. Mas em surdina saía das entidades oficiais os nomes dos candidatos Anbang; Apollo e Fosun. Em nenhum comunidado o Banco de Portugal diz os nomes dos interessados. O que se sabe, sabe-se por conversas não oficiais com os protagonistas.


O que era a verdade até ontem era isto:


Anbang deu uma proposta muito mais alta, cerca de 3,5 bi. Mas exigiu garantias estatais sobre imparidades futuras de créditos do Novo Banco. A Fosun, deu o preço mais baixo. Cerca de 1,5 bi, porque a Fosun não queria competir com a Anbang, seus conterrâneos. Havia até a intenção de sair da corrida, por desinteresse, "porque aquilo não vale".Mas as propostas vinculativas eram válidas até fim de Outubro.


Sabia-se que a Apollo deu a segunda proposta mais alta.


O comunicado do Banco de Portugal assumia que  havia numa segunda proposta e uma terceira e que se falhassem as negociações com o primeiro avançavam para o segundo. As propostas mais altas eram a da Anbang, Apollo, Fosun, todos assumiam isto. Todos mesmo. 


O Banco de Portugal comunica hoje que as negociações falharam com o primeiro candidato e que avançam os segundos candidatos. Ora todos olharam para a Apollo. Mas pelo que parece, os chineses perder ainda vá, para os norte-americanos é que não. 


Hoje de manhã começa a surgir o rumor que talvez a segunda melhor proposta fosse a da Fosun. De repente a Fosun é quem tinha a segunda melhor proposta. A Fosun que tinha dito que a sua aposta era a saúde e a felicidade, começa a dizer à Reuters que continua empenhada no Novo Banco. 


De repente salta para a ribalta: a Fosun tem a segunda melhor proposta e foi convidada para as negociações. O Banco de Portugal não diz isso em comunicado. Mas isso não quer dizer nada. Porque a notícia é oficiosamente confirmada.


Mas as outras notícias também eram oficiosamente confirmadas.  


Agora é legítimo perguntar: será que o Banco de Portugal esteve em negociações com a Anbang? É que nunca disse em nenhum comunicado oficial que era a Anbang. Na verdade nem nunca disse em nenhum comunicado que os interessados eram a Apollo e a Fosun. Na verdade nunca disse que a Anbang tinha a melhor proposta. Como sabemos que foi assim? Pelas mesmas fontes que nos disseram que a Apollo tinha a segunda melhor proposta.


O que levou ao engano? Um engano que foi dos jornalistas mas também dos próprios candidatos.


É que cada um dos candidatos recebeu uma carta a dizer quem passava à IV fase das negociações e a dizer que a escolha tinha por base um ranking de valores. 


Não disse mais nada na carta. Mas a esta carta era junto um anexo. Nesse anexo havia uma lista dos nomes e cada destinatário tinha o seu nome nessa lista. Os outros, ou o outro que não passou num primeiro momento à quarta fase, aparecia ocultado, estando no seu lugar uns pontinhos.


 Em primeiro lugar aparecia a Anbang, e depois vinha a Apollo (no caso do anexo da carta à Apollo), e o outro que aparecia com três pontinhos. Obviamente a Fosun. Na carta à Fosun a mesma coisa, havia a Anbang, e depois uns pontinhos e por fim Fosun. Todos pensaram que era um ranking. Todos assumiram que aquele era o ranking.


Mas o Banco de Portugal, diz-se nos bastidores, fez aquela lista com base numa "Ordem Alfabética"!!!! Inacreditável? Claro. Acredito mesmo. 


 


 

domingo, 30 de agosto de 2015

Ironia


Resettlement places offered by Saudi Arabia, Bahrain, UAE, Qatar, Kuwait to refugees: zero


Autor da ironia: Ian Bremmer